segunda-feira, 30 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
KARA Behind the Scenes of Quantic Dreams!
Impressionante... Em termos de tecnologia é Impressionante...
quinta-feira, 12 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Project Glass: One day...
A semana contínua de novidades da gigante da Internet terminou com um projeto que hoje está na "capa" de todas as publicações de tecnologia que se prezem: uns óculos que integram tecnologia de realidade aumentada.
As capacidades do novo acessório são sugeridas num vídeo, em que se mostra, por exemplo, a possibilidade de conhecer a temperatura exterior quando se olha por uma janela, a troca de mensagens, informação de alternativas quando os transportes que costumamos usar não estão a funcionar. Os óculos funcionam por comandos de voz e incluem também uma câmara para tirar fotos e gravar vídeos.
Embora tenha oficializado a existência do projeto, a Google ainda não avançou detalhes sobre a disponibilização para venda nem o seu custo. Com a divulgação pretende-se essencialmente recolher opiniões sobre a ideia, referiram os responsáveis pelo Project Glass, no post do Google+ onde o vídeo surgiu pela primeira vez.
Escolha de um Amigo
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
OSCAR WILDE
terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
Audrey Hepburn
A Arte de Ajudar o Outro a Aprender
Esse método foi tradicionalmente chamado de "maiêutica" – palavra que vem do termo grego que quer dizer "parteira". Para Sócrates o professor é, como se fosse, uma parteira para o conhecimento do aluno. Quem dá à luz (constrói?) o conhecimento, quem aprende, é o aluno – mas o professor ajuda, apoia, facilita.
No Teeteto [1], Sócrates explica a seu interlocutor que ele era filho de uma parteira, Fenarete, e que, como sua mãe, ele próprio é um parteiro. Sua mãe ajudava as mulheres a dar à luz seus filhos; ele ajuda os homens (no sentido genérico) a dar à luz suas idéias.
Sócrates leva a analogia adiante, explicando que as parteiras, em geral, são mulheres que já passaram, elas mesmas, da idade em que poderiam parir seus filhos – por isso ajudam as outras. De igual modo, ele, Sócrates, e aqui fala a modéstia, já teria passado da idade em que poderia dar à luz idéias próprias – ficando na posição de quem agora só pode ajudar os outros...
Mas ele aponta também um contraste importante entre sua função e a das parteiras:
“A tarefa das parteiras é importante – mas não tão importante quanto à minha; pois as mulheres não trazem ao mundo crianças verdadeiras numa hora, falsificadas noutra. Se o fizessem, a arte de diferenciar as crianças verdadeiras das falsificadas seria o ápice da arte da parteira. . . . A minha arte, conquanto em muitos aspectos semelhante à das parteiras, envolve cuidar da alma, não do corpo. O triunfo de minha arte está no exame exaustivo do pensamento que a mente de um jovem traz ao mundo para determinar se é um nascimento verdadeiro – ou um ídolo falso. Como as parteiras, sou estéril; e a crítica que me fazem – de que faço perguntas que não consigo, eu mesmo, responder – é muito justa. A razão disso é que os deuses me compelem a ser parteira – mas não me permitem parir. E, por isso, eu mesmo não sou sábio, nem tenho nada a mostrar que seja invenção ou descoberta de minha própria alma – mas aqueles que conversam comigo se beneficiam... É claro que não aprendem nada de mim; as muitas idéias que apresentam são geradas por eles próprios – eu só os ajudo a trazê-las ao mundo...” [2]
(Será que textos recentes sobre Construtivismo, que parecem sugerir que as raízes mais remotas desse movimento se reportam a Piaget, conseguiriam dar uma idéia mais precisa e sucinta de suas teses fundamentais do que esse parágrafo de Platão?)
É interessante que, segundo os relatos que Platão nos legou acerca de Sócrates, este não ia atrás de seus interlocutores, dizendo: "Venha aqui que eu tenho algo para lhe ensinar". Ele ficava esperando que as pessoas tivessem questões, perguntas, dúvidas e viessem até ele – daí ele procurava ajudá-las, à sua moda.
Digamos que (juntando pedaços de alguns diálogos socráticos), um jovem viesse até Sócrates e dissesse:
"Mestre, o que é a justiça? Quando é que agimos de forma justa?"
Sócrates nunca dava uma resposta direta à pergunta. Ele fazia outra pergunta ao seu interlocutor:
"O que você acha que é a justiça?"
O jovem tentava:
"Ser justo é fazer o que é certo".
"Ótimo", dizia Sócrates. "Mas o que quer dizer 'fazer o que é certo?'. Quando é que fazemos o que é certo, e quando é que fazemos o que é errado?"
O jovem tentava mais uma vez:
"Creio, Mestre, que faz o que é certo aquele que executa a vontade de Deus, aquilo que Deus manda, e faz o que é errado aquele que desobedece a Deus".
Sócrates continuava:
"Interessante sua resposta. Mas responda-me isso: Você acha que um curso de ação se torna certo porque Deus nos manda segui-lo, ou será que Deus nos manda segui-lo porque é o curso certo de ação? O que você acha?"
E a conversa ia por aí em frente. Através de perguntas bem feitas, Sócrates ia ajudando seus interlocutores a dar à luz uma compreensão mais adequada do que significava ser justo e agir corretamente. Ele nunca dizia. Ele nunca ensinava. Ele ajudava o aluno a pensar por si só, a aprender, a se tornar um aprendente autônomo.
Sócrates não usava nenhuma tecnologia além de sua fala. Não seguia um currículo – eram as questões dos alunos que lhe colocavam a pauta de suas conversas. Ele não tinha material didático – era contra materiais escritos (nunca escreveu nada – como Jesus Cristo também não). Não fazia prova para seus alunos, porque ao longo da conversa ele percebia que, ou o aluno tinha entendido (parido a idéia), ou a conversa (o trabalho de parto) não havia ainda terminado. Além disso, a conversa dele não tinha lugar numa escola, mas sim na praça.
Notem bem: um educador sem currículos, sem conteúdos predeterminados, sem materiais didáticos, que não ensinava, que não transmitia informações, que não avaliava se os alunos haviam assimilado o que ele tentara lhes transmitir, porque ele nada tentava lhes transmitir (no sentido em que usamos o termo). E que não usava nem a parca tecnologia da escrita já disponível então. E que era interativo e dialógico, e que ficava o mais próximo possível de seus alunos.
Saltemos no tempo para ressaltar que se afirma, hoje, que o computador é uma máquina interativa, que CD-ROMs nos trazem material didático interativo, etc. Mas algo, seja um equipamento, seja um material didático, só é interativo para quem está interessado em interagir, para quem valoriza o diálogo – o diálogo entre pessoas que se colocam num mesmo patamar, não o suposto diálogo entre quem sabe e quem não sabe, entre quem tem o conhecimento e quem o recebe passivamente.
No parto, a mãe faz todo o trabalho. É ela que é ativa. É ela quem trabalha (donde a expressão "trabalho de parto"). A parteira ajuda, apoia, auxilia, facilita. Na filosofia da educação socrática, quem deve trabalhar são os alunos, não o mestre-parteiro. Quem deve estar ativo e procurar construir seu próprio conhecimento são os alunos. São eles os protagonistas da história. O mestre-parteiro fica nos bastidores, apoiando, ajudando, facilitando, fazendo uma massagem motivatória, quando necessária ou recomendável, passando uma pomada quase milagrosa quando o cansaço nos dá cãibras e nos causa dor, incentivando aqui, desafiando ali, provocando acolá. Quando a educação é concebida assim não há problema de distância, porque ela se processa é na troca, na conversa, no diálogo.
Viver, é ajudar os outros a viver
Do Acampamento Dandara, no Brasil, onde numerosas famílias reconstroem as suas vidas, até Ilo, no Peru, onde empregadas domésticas se reúnem para partilharem as suas competências e experiências, este exemplar da "Carta" leva até vós um certo número de ações enraizadas em laços de amizade, de confiança e de fraternidade.
«Estes desejos das crianças… são um direito, não são um sonho.» É com estas palavras que o redator de um de artigo publicado num jornal que dava a palavra a crianças de todos os meios sociais conclui o seu texto. «Um direito e não um sonho». Não se trata duma coisa que se publique num decreto, é algo que se constrói a partir de laços de proximidade, de laços de amizade, de laços de compreensão, de confiança e de compaixão, e também de laços tecidos pela ação. É isto que exprimem os artigos desta “Carta”, de diversas maneiras e em contextos variados.
«Quando chove de noite, fico com o coração apertado e não durmo bem porque penso nas famílias dos bairros muito pobres.»
«Elas aprenderam a defender os seus próprios direitos; e elas comprometeram-se a defender os direitos de outras mulheres.»
«O povo está acordando. Nossa luta não será em vão.»
«A Brigitte (uma menina de 4 anos que sofre de paralisia cerebral) dá-me um belo exemplo de constância através da sua luta pela vida.»
«É uma comunidade que, apesar das situações problemáticas de muitos dos seus habitantes, consegue manter condições de convívio intercultural e mobilizar-se na construção do seu próprio futuro.»
Todas as reações que recebemos e que dizem respeito à Convenção Internacional dos Direitos da Criança (página 4) estão dentro do mesmo espírito. Embora falem de realidades graves, dolorosas e inaceitáveis, elas revelam a grandeza dos homens e das mulheres que vivem essas realidades, que as recusam, e que levam outras pessoas a recusá-las com eles. «Sem a solidariedade, nada é possível neste mundo; viver é ajudar os outros a viver.» E é com esta afirmação que numerosos jovens arrastam muitos outros para agirem todos em favor das crianças vivendo em condições difíceis.
Viver, é ajudar os outros a viver, é ter em si uma ambição que engloba toda a gente.
Huguette Redegeld
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Este número da "Carta aos Amigos do Mundo" (clique aqui para a transferir) relata ações concretas realizadas no Brasil, no Peru e no Equador, assim como comentários enviados por correspondentes que lutam ao lado dos mais pobres na Costa do Marfim, na Itália, no Egipto, na República Democrática do Congo e noutros países.